Hidreletricidade como alavanca da matriz renovável e chave para o futuro energético do Brasil

A Abrage participou na última semana, da COP30, em Belém, reforçando uma mensagem essencial para o Brasil e para o mundo: a hidreletricidade é a base que sustenta a matriz renovável brasileira e a chave para garantir um sistema seguro, flexível e resiliente no futuro.

O Brasil ocupa uma posição singular. Mais de 90% da nossa eletricidade é limpa, sustentada por mais de 110 GW de hidrelétricas, com uma rede interligada robusta e capacidade de armazenamento única no mundo. Essa combinação nos coloca entre os países com maior capacidade de liderar a transição energética global.

Mas essa liderança só será possível se o país retomar a expansão hidrelétrica de forma sustentável, com planejamento de longo prazo e valorização dos atributos que mantêm o sistema estável.

Hidrelétricas como sustentação da matriz e da expansão das renováveis

A posição da Abrage é clara: matrizes renováveis robustas dependem de uma economia de atributos, não apenas de mais energia instalada.
Nesse contexto, a hidreletricidade é a fonte que dá sustentação técnica ao crescimento das demais energias renováveis variáveis.

As hidrelétricas oferecem atributos que fontes não controláveis não entregam sozinhas:

. armazenamento de energia em múltiplas escalas,

. potência firme,

. rampas rápidas,

. inércia e estabilidade,

. controle de frequência e suporte de tensão,

. serviços essenciais à operação do sistema.

São esses atributos que permitem integrar, com segurança, grandes volumes de novas renováveis não despacháveis. Sem eles, não há sistema renovável de grande porte que se sustente.

Ajustar a rota de expansão é urgente

Nas últimas décadas, o Brasil deixou praticamente de construir novos reservatórios.
A expansão recente concentrou-se em fontes variáveis e térmicas, o que já projeta ligeira queda da renovabilidade da matriz nos próximos anos, caso o país não ajuste sua trajetória.

Para a Abrage, a COP30 reforça a importância de:

. aprimorar os sinais de preço;

. valorizar potência, flexibilidade e serviços ancilares;

. reduzir subsídios que distorcem a competição;

. modernizar marcos de licenciamento e regulação;

. e retomar a expansão hidrelétrica sustentável, incluindo novos reservatórios, ampliações e sistemas de armazenamento.

Oportunidades: a nova geração de hidrelétricas

O Brasil possui 86 GW de potencial hidrelétrico sustentável, distribuídos em:

ampliações e motorização de usinas existentes;

modernização e repotenciação;

novos reservatórios sob padrões socioambientais atuais;

e sistemas de armazenamento hidráulico (hidrelétricas reversíveis), essenciais para armazenamento de longa duração.

As hidrelétricas reversíveis serão decisivas para garantir estabilidade ao sistema à medida que crescem as renováveis variáveis.

Hidreletricidade é também segurança hídrica

Mais de 90% de toda a água armazenada no Brasil está em reservatórios hidrelétricos.
Eles desempenham serviços fundamentais para o país, como:

. abastecimento humano,

. irrigação e produção de alimentos,

. controle de cheias,

. navegação,

. turismo,

. adaptação às mudanças climáticas.

Investir em hidreletricidade significa, simultaneamente, fortalecer a segurança energética e a segurança hídrica do Brasil.

Sustentabilidade e legitimidade social: pilares da expansão

A expansão hidrelétrica deve avançar com:

. engajamento qualificado e contínuo com comunidades locais,

. análise qualificada e tratamento de impactados,

. repartição equilibrada de benefícios,

. e aderência a padrões modernos de sustentabilidade.

O desafio não é apenas ampliar o parque hidrelétrico — é construir uma nova geração de hidrelétricas: sustentáveis, resilientes ao clima, socialmente legítimas e alinhadas às necessidades do país e do planeta.

Uma agenda para reafirmar a liderança brasileira

A COP30 mostrou que o Brasil pode aprofundar sua liderança global em energia limpa.
A Abrage reforça que o futuro renovável do Brasil depende diretamente da expansão hidrelétrica sustentável, base que garante a estabilidade do sistema e viabiliza a integração contínua de novas fontes renováveis.

Porque um sistema verdadeiramente limpo, seguro e resiliente é aquele em que a hidreletricidade segue sendo a alavanca central da matriz brasileira.

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