Hidrelétricas: pilares estratégicos para o futuro energético do Brasil

A Empresa de Pesquisa Energética (EPE) publicou, recentemente, o Caderno de Estudos: Um olhar para as usinas hidrelétricas, oferecendo uma visão aprofundada sobre os desafios e oportunidades dessa fonte que, há décadas, sustenta a matriz elétrica brasileira.

O documento, fruto de análises técnicas e projeções de médio e longo prazo, considera tanto a expansão quanto a modernização do parque gerador, destacando a relevância das hidrelétricas para a segurança energética, a integração de renováveis variáveis e a transição para uma economia de baixo carbono.

Tendência global: o mundo continua investindo em hidrelétricas

O panorama internacional confirma que a hidreletricidade segue sendo uma prioridade nos planos de expansão energética. Em 2023, países como China, Nigéria e Colômbia lideraram a adição de capacidade hidrelétrica, com milhares de megawatts incorporados ao sistema.

A capacidade instalada de hidreletricidade global atingiu 1.416 GW em 2023, incluindo usinas reversíveis, com destaque para China (421 GW), Brasil (110 GW), Estados Unidos (102 GW) e Canadá (83 GW). Apesar de deter um dos maiores potenciais hídricos do planeta, o Brasil ficou em 19º lugar em expansão no ano, com 118 MW adicionados, o que demonstra oportunidade para retomar o protagonismo no cenário global.

Essa tendência mostra que, em todo o mundo, as usinas hidrelétricas (UHEs) continuam sendo vistas como ativos estratégicos, capazes de oferecer energia limpa, estável e de baixo custo, ao mesmo tempo em que viabilizam a integração de novas fontes renováveis.

O papel das hidrelétricas na matriz elétrica

A hidroeletricidade sempre foi a principal fonte de geração do Brasil. Ainda hoje, responde pela maior parcela da capacidade instalada (51,73%) na matriz, oferecendo energia limpa, com baixas emissões de gases de efeito estufa, cadeia produtiva 100% nacional, longa vida útil e capacidade única de armazenamento e flexibilidade operativa.

No entanto, a participação relativa das UHEs na matriz vem se ajustando diante da expansão acelerada de outras fontes renováveis e de mudanças no ambiente regulatório e socioambiental. Isso reforça a importância de modernizar, ampliar e valorizar os atributos das hidrelétricas, assegurando que seu papel estratégico continue a crescer no futuro.

Entre 2017 e 2023, apenas duas novas UHEs venderam energia em leilões, somando 98 MW. Apesar disso, o país ainda dispõe de um potencial hidrelétrico expressivo: 178 GW, sendo 52 GW em usinas acima de 30 MW já inventariadas e disponíveis para estudos.

Desafios para expansão

O estudo da EPE aponta pontos de atenção para ampliar a participação das hidrelétricas, como a necessidade de avançar em soluções para viabilidade socioambiental, ampliar a atratividade de investimentos e aprimorar o reconhecimento regulatório e econômico dos seus atributos. Superar esses pontos é essencial para destravar o grande potencial inventariado e ampliar a contribuição das UHEs para o sistema elétrico, a partir da potência e flexibilidade, e para os usos múltiplos, a partir da regularização de reservatórios.

Oportunidades estratégicas

Mesmo diante desses desafios, a EPE aponta caminhos concretos para potencializar o papel das hidrelétricas:

  1. Usinas Hidrelétricas Reversíveis (UHRs):
    • Tecnologia madura e eficiente para armazenamento de energia em larga escala.
    • Essenciais para dar suporte à expansão de eólica e solar, garantindo confiabilidade, estabilidade e segurança energética com renovabilidade.
    • Potencial de implementação em locais com menor sensibilidade ambiental, facilitando licenciamento.
  2. Repotenciação, modernização e ampliação de usinas existentes:
    • Mais de 70% do parque hidrelétrico brasileiro tem mais de 25 anos.
    • Modernizar turbinas e sistemas pode aumentar eficiência, potência instalada e vida útil.
    • Reduz custos operacionais e melhora a flexibilidade do sistema.
  3. Novo papel das hidrelétricas na operação do SIN:
    • Ajustar a operação para preservar níveis de reservatórios e priorizar potência e flexibilidade.
    • Rever mecanismos de remuneração para reconhecer serviços ancilares e atributos não energéticos.
    • Articular estratégias com outros usos da água, como irrigação e abastecimento, promovendo gestão integrada dos recursos hídricos.

Por que investir nas hidrelétricas é investir no futuro?

As hidrelétricas são a base para um sistema elétrico seguro, limpo e flexível. Seu potencial de armazenamento e regularização é essencial para integrar fontes renováveis variáveis e enfrentar os desafios das mudanças climáticas.

Modernizar o parque existente e explorar novas oportunidades, como as UHRs, é um passo crucial para garantir que o Brasil continue liderando a geração renovável no mundo.

O estudo da EPE é uma contribuição valiosa para o debate sobre o futuro energético brasileiro, oferecendo dados, análises e propostas que permitem alinhar desenvolvimento econômico, segurança do suprimento e sustentabilidade ambiental.

A Abrage reconhece e valoriza o trabalho da EPE, que traz transparência, embasamento técnico e visão estratégica para que possamos aproveitar plenamente o potencial hídrico do país.

📄 Fonte: EPE – Caderno de Estudos: Um olhar para as usinas hidrelétricas (jan/2025)
🔗 Acesse o estudo completo no site da EPE

 

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