Em sessão no Senado, Abrage destaca a hidreletricidade como pilar fundamental e estratégico da Transição Energética no Brasil

Em sessão de debates temáticos realizada nesta terça-feira (11/08), no Plenário do Senado Federal, a Associação Brasileira das Empresas Geradoras de Energia Elétrica (Abrage) defendeu o papel estratégico e indispensável da hidreletricidade para a segurança, a confiabilidade e o futuro da matriz elétrica brasileira.

O evento foi convocado a partir de requerimento do senador Laércio Oliveira (PP/SE) com o objetivo de discutir os principais gargalos e as propostas legislativas voltadas à aceleração das fontes de energia renovável no país. Segundo o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União/AP), o debate visa avaliar políticas públicas de incentivo na América Latina, identificando boas práticas e delineando as condições para uma transição justa, efetiva e sustentável.

Durante a sua fala na Tribuna, a diretora da Abrage, Camilla Fernandes, enfatizou que a transição energética é uma realidade indiscutível e que a matriz elétrica brasileira possui um patrimônio renovável singular — cerca de 90% de sua composição —, fruto de décadas de planejamento estrutural e investimentos em hidreletricidade.

“A hidreletricidade não pode ser vista apenas como passado. Ela faz parte do presente e, com certeza, do futuro do nosso país. Nosso patrimônio renovável representa uma enorme vantagem competitiva para o desenvolvimento e a descarbonização”, ressaltou Camilla Fernandes.

Flexibilidade, Armazenamento e Confiabilidade

A diretora da Abrage ressaltou que o grande desafio da próxima década transcende a capacidade de geração e reside na disponibilidade de energia nos momentos de maior demanda da sociedade. Nesse cenário, o armazenamento e a flexibilidade operativa ganham destaque central.

As usinas hidrelétricas, tanto convencionais quanto reversíveis, atuam como grandes reservatórios naturais de energia armazenada, fornecendo potência nos horários de pico, regulação de frequência, inércia e serviços ancilares que viabilizam a expansão contínua de fontes como a eólica e a solar no Sistema Interligado Nacional (SIN).

Avanços Regulatórios e Potencial Remanescente

Durante o discurso, foram destacados marcos recentes importantes para o setor, como a Lei nº 15.269/2025 e as diretrizes editadas pelo Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) para estudos de novos aproveitamentos com capacidade de regularização e sistemas de armazenamento hidráulico.

Segundo a diretora, a sinalização é clara: além de contratar energia, o mercado precisa remunerar capacidade, potência e atributos que conferem estabilidade à rede. O Brasil já possui 110 GW de capacidade instalada em usinas hidrelétricas e conta com um potencial remanescente superior a 80 GW, o que o posiciona na vanguarda global ao lado de economias como China, Estados Unidos e Canadá.

Presença Institucional

O debate reuniu autoridades e representantes do setor público e privado, entre os quais Gustavo Ataíde, do Ministério de Minas e Energia (MME); Hugo Briones, do Ministério de Energia do Chile; Elbia Gannoum, da Associação Brasileira de Energia Eólica (ABEEólica); e Rodrigo Sauaia, da Associação Brasileira de Energia Solar Fotovoltaica (ABSOLAR).

A Abrage reafirmou seu compromisso em colaborar com o Congresso Nacional e com o Poder Executivo na construção de políticas públicas e marcos regulatórios que fortaleçam a segurança jurídica, garantam previsibilidade aos investidores e consolidem a liderança global do Brasil no cenário energético.

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