Debate promovido pela Megawhat e Copel reforça a urgência de armazenamento no Brasil

O setor elétrico brasileiro vive um momento de transição em que a flexibilidade operativa deixou de ser um desejo para se tornar uma necessidade técnica. Esse foi o tom do debate promovido pela Megawhat, em parceria com a Copel, realizado no dia 27/05, que reuniu as principais lideranças da governança setorial para discutir o papel das Usinas Hidrelétricas Reversíveis (UHRs).

A Necessidade de Escala e Métricas Gustavo Ataíde, Secretário Executivo do Ministério de Minas e Energia (MME), trouxe um dado contundente: no médio prazo, a necessidade de armazenamento no Brasil pode alcançar entre 30 e 40 GW de capacidade instalada. Segundo ele, as recentes resoluções do CNPE são sinais claros de que o governo está disposto a viabilizar essa tecnologia.

Complementando a visão técnica, Gentil Nogueira, diretor da Aneel, destacou que o setor migrou da necessidade histórica de contratar energia (GWh) para a urgência de contratar potência e flexibilidade. Ele enfatizou que as UHRs são fundamentais não apenas para fornecer inércia ao sistema, mas também para mitigar o curtailment (corte de geração). No entanto, alertou: “Ainda precisamos avançar na criação de métricas para a contratação de flexibilidade”.

Serviços Sistêmicos e Segurança A Gerente Executiva do ONS, Cida, detalhou os serviços que as reversíveis podem prestar, como controle de rampa e de frequência, além de serviços de reestabelecimento, essenciais para equilibrar a intermitência de grandes blocos de energia solar.

Pelo lado dos investidores e fabricantes, Sérgio Gomes (Andritz) reforçou o apetite do mercado global, mas lembrou que o investimento exige um modelo de remuneração sustentável e compatível com a longa vida útil desses ativos. Diogo Mac Cord, da Copel, reforçou que o mercado reage a sinais de preço e defendeu que futuros leilões foquem no atributo “armazenamento”, promovendo a competição isonômica entre tecnologias.

O Olhar da Abrage e o Futuro Marisete Pereira, presidente da Abrage, destacou o potencial e a capacidade técnica nacional para liderar essa agenda. Para ela, a modernização do formato de contratação é vital para não perdermos a janela de oportunidade. Marisete também apontou um caminho estratégico: o aproveitamento da infraestrutura das hidrelétricas já existentes para projetos de UHR, o que reduz custos e impactos ambientais.

O debate ainda trouxe novidades regulatórias, como a aproximação entre Aneel e ANA para regulamentar o uso de recursos hídricos, e os avanços da EPE. Thiago Prado, presidente da empresa, revelou a reativação de estudos de inventário no Rio de Janeiro e a criação de uma ferramenta para auxiliar empreendedores na seleção de áreas, inclusive estudando a aplicação de “prêmio locacional” para reduzir gargalos de escoamento.

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