O Grupo de Estudos do Setor Elétrico (GESEL/UFRJ) realizou, no dia 15 de setembro, no Rio de Janeiro, o Seminário sobre Armazenamento Hídrico, com o apoio da Associação Brasileira de Empresas Geradoras de Energia Elétrica (Abrage). O encontro reuniu representantes do Governo Federal, da Empresa de Pesquisa Energética (EPE) e de empresas do setor elétrico para discutir os desafios regulatórios, técnicos e econômicos relacionados ao desenvolvimento de Usinas Hidrelétricas Reversíveis (UHRs) no Brasil.
Entre as autoridades presentes estiveram a Secretária Nacional de Transição Energética e Planejamento do Ministério de Minas e Energia (MME), Mariana Espécie, e o Presidente da EPE, Thiago Prado. Em sua participação, o MME apresentou os avanços regulatórios relacionados ao armazenamento e à flexibilidade do sistema, destacando o endereçamento do tema pela Lei nº 15.269, pelas Resoluções CNPE nº 7 e nº 8, de 2026, e pelas Resoluções ANEEL nº 1.161/2026 e nº 1.162/2026. A Secretaria também abordou a previsão de agenda para realização de leilões regulados, incluindo o LRCAP e iniciativas relacionadas às UHRs, além da regulamentação em curso das concessões vincendas de usinas hidrelétricas, que poderá criar oportunidades para modernizações, ganhos de eficiência e implantação de unidades reversíveis, quando aplicável. A formação de um portfólio de projetos foi apontada como prioridade para orientar futuras medidas regulatórias, financeiras, tecnológicas e de infraestrutura, bem como para fortalecer a cadeia produtiva nacional e recuperar o conhecimento brasileiro sobre a tecnologia hidrelétrica.
A EPE, por sua vez, apresentou antecipadamente seu plano de trabalho para atendimento à Resolução CNPE nº 8/2026, com uma proposta de etapas para um futuro processo competitivo voltado à contratação de Sistemas de Armazenamento Hidráulico. A iniciativa representa um avanço na construção de um mercado de armazenamento no Brasil, ao contribuir para maior previsibilidade e aprofundar a discussão sobre o papel estratégico dessas usinas no Sistema Interligado Nacional (SIN). Ao combinar capacidade de armazenamento, potência e flexibilidade operativa, as UHRs podem contribuir para a integração de fontes renováveis variáveis e para a segurança e confiabilidade do sistema. Nesse contexto, a escuta dos agentes e a análise de aspectos técnicos, econômicos, ambientais e de maturidade dos projetos são fundamentais para o desenvolvimento de critérios de contratação alinhados às necessidades do sistema e para a criação de um ambiente de investimentos mais seguro e previsível. Veja mais em: https://www.epe.gov.br/pt/imprensa/noticias/epe-antecipa-etapas-de-futuro-processo-competitivo-e-abre-caminho-para-projetos-de-armazenamento-hidraulico.
O seminário também contou com a participação de representantes das associadas da Abrage como Axia, Copel, CTG, Enercan e Neoenergia, além da EDP, que discutiram os desafios para a viabilização de UHRs em leilões regulados. Entre os temas abordados estiveram os critérios de seleção e localização dos projetos, a previsibilidade do planejamento e das receitas, os atributos sistêmicos das usinas, o empilhamento de receitas, a arbitragem de preços e os avanços regulatórios, ambientais e editalícios necessários para tornar os empreendimentos viáveis, competitivos e investíveis.
As discussões também contemplaram a compatibilização dos termos das concessões, a incorporação de sinais locacionais e a maturidade dos projetos básicos como elementos para ampliar a competitividade dos empreendimentos. Foram analisados, ainda, aspectos relacionados à definição do produto e dos atributos a serem contratados, às premissas operacionais para comparação das propostas, à distribuição de riscos e ao horizonte contratual. A formação de uma carteira de projetos, o desenvolvimento de estudos técnicos e a adaptação de experiências internacionais ao contexto brasileiro também estiveram entre os pontos debatidos.
A Abrage segue acompanhando a evolução da agenda de armazenamento hídrico e participando ativamente das discussões com o objetivo de contribuir para o desenvolvimento de soluções regulatórias e de mercado que reconheçam os atributos das Usinas Hidrelétricas Reversíveis. A Associação reforça a importância de um ambiente de contratação previsível, tecnicamente fundamentado e capaz de viabilizar investimentos, fortalecendo a flexibilidade operativa, a segurança energética e a confiabilidade do Sistema Interligado Nacional.
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