Abrage no Brazil WindPower: Associação aponta caminhos para um Futuro Energético justo e resiliente

O Brazil WindPower 2025,realizado semana passada, encerrou em (30/10) seus trabalhos, São Paulo, com um dia de discussões focado em como o Brasil pode se posicionar como líder na agenda climática global. A participação da diretora da Abrage, Camilla Fernandes, no painel “Futuro Energético do Brasil: Sustentabilidade, Diversificação da matriz e a Agenda da COP30”, destacou a visão da associação sobre os pilares de uma transição energética segura e equitativa.

O painel, moderado por Thiago Ivanovski (Diretor de Estudos Econômicos-Energéticos e Ambientais da EPE), abordou a descarbonização do consumo, a posição estratégica do Brasil e as oportunidades para o mercado privado.

O último dia do evento foi marcado por uma tônica clara: o Brasil chega à COP30, em Belém–PA, com condições de assumir a liderança de uma agenda climática centrada nas pessoas. As discussões enfatizaram a necessidade de um futuro energético ancorado em energia limpa, estabilidade regulatória e equidade social.

A diretora Camilla Fernandes trouxe para o centro da discussão a visão da Abrage, defendendo a reavaliação do modelo de expansão da matriz elétrica e a necessidade de adequados sinais de preço no mercado de energia elétrica do Brasil.

Camilla ressaltou que sinais adequados de preço são fundamentais para induzir decisões mais eficientes de consumo, operação do sistema e expansão da geração, refletindo o valor real que cada fonte entrega ao sistema elétrico.

Ela reforçou a mensagem sobre o potencial de 86 GW em expansão hidrelétrica a ser aproveitado no país:

“A expansão da matriz elétrica com base em fontes de produção variável e não controláveis tem sido importante e constante na última década. Mas há um limite de segurança. O modelo precisa ser reavaliado para que possamos viabilizar a retomada da expansão em hidrelétricas, que são, em última análise, as avalistas da expansão das novas renováveis, garantindo a segurança e a flexibilidade do sistema.”

Lições de Portugal: a Potência das Hídricas Reversíveis

O debate ganhou uma perspectiva internacional com a participação do consultor português João Galamba, que trouxe as experiências e desafios de Portugal.

O consultor relatou o Apagão na Península Ibérica, em 28 de abril de 2025, apontando a lição de que a complementaridade das fontes é indispensável, mas é preciso ter cuidado com os aspectos físicos e de desenho de mercado para que a expansão de geração intermitente, inclusive a geração distribuída, não seja fator de risco para a segurança das operações e distorções nos preços de energia. Ele ressaltou a função essencial das centrais hídricas reversíveis no apoio e potência do sistema elétrico de Portugal.

“Sem elas [centrais hídricas reversíveis] não é possível apoiar a expansão das outras fontes, pelos atributos que elas possuem, como flexibilidade, potência e ser uma fonte renovável.”

A participação da Abrage no Brazil WindPower 2025 reforça o seu compromisso com um sistema elétrico nacional resiliente e diversificado, onde o avanço das novas renováveis é inseparável da valorização estratégica da base hídrica existente e potencial.

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