Resiliência do setor elétrico exige preparação permanente

Abrage destaca a importância da adaptação da geração hidrelétrica aos eventos climáticos extremos e da atuação coordenada para fortalecer a segurança energética

A energia elétrica é um serviço essencial e o sistema elétrico brasileiro constitui uma infraestrutura crítica para o funcionamento da sociedade e da economia. Eventos climáticos extremos representam, portanto, um desafio relevante para o setor. Secas prolongadas, chuvas intensas, cheias, ondas de calor e tempestades podem afetar ativos de geração, transmissão e distribuição, além de estruturas de apoio e logística, exigindo preparação e capacidade de resposta.

A Abrage participou do evento “Super El Niño e a Resiliência do Setor Elétrico Brasileiro”, promovido pela Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL), em Brasília, no dia 20/08, que reuniu representantes do governo, dos órgãos responsáveis pela gestão dos recursos hídricos e pela operação do sistema, da Defesa Civil e das entidades representativas dos segmentos de geração, transmissão e distribuição.

A participação da Associação contribuiu para o debate a partir da perspectiva da geração hidrelétrica, trazendo para a discussão a experiência das empresas associadas na preparação para diferentes cenários climáticos e os desafios relacionados à operação, manutenção, gestão dos reservatórios e segurança de barragens.

A discussão reforçou uma agenda que vem ganhando espaço na Abrage: a preparação dos ativos de geração hidrelétrica para diferentes condições climáticas e a contribuição da geração para a resiliência do sistema elétrico.

Para a geração hidrelétrica, a preparação começa pelo acompanhamento das condições hidrometeorológicas e pela avaliação antecipada dos possíveis impactos sobre os reservatórios, as usinas e suas estruturas. Os cenários apresentados pela Abrage mostram diferenças importantes entre as regiões brasileiras. No Norte, Nordeste, Centro-Oeste e em parte do Sudeste, a atenção está voltada principalmente para a possibilidade de seca, com necessidade de preservar água e ampliar a capacidade de resposta das usinas. No Sul e em parte do Sudeste, onde há maior exposição a chuvas intensas, a prioridade está na gestão de cheias.

As empresas associadas vêm estruturando estratégias específicas para esses cenários, reforçando suas rotinas de operação e manutenção. Entre as medidas estão o acompanhamento das condições hidrometeorológicas, a reavaliação dos cenários de geração e armazenamento, a preservação de níveis estratégicos dos reservatórios, o reforço da manutenção preventiva e a preparação de planos de contingência. A gestão considera também os usos múltiplos da água, incluindo abastecimento e navegação.

Nas regiões sujeitas a chuvas extremas, a preparação inclui a antecipação de manutenções prioritárias, testes dos órgãos extravasores, verificação dos sistemas de alerta, revisão dos contatos de emergência previstos nos Planos de Ação de Emergência (PAE), alinhamento prévio das responsabilidades e garantia de recursos humanos e materiais para situações emergenciais.

Esse conjunto de medidas expressa uma diretriz importante para a Abrage: resiliência se constrói antes do evento, com preparação, conhecimento dos riscos e capacidade de resposta.

A adaptação aos eventos climáticos extremos também integra o Planejamento Estratégico da Abrage, dentro da agenda de Gestão e Manutenção de Ativos. As empresas associadas compartilham experiências e desenvolvem boas práticas por meio dos diferentes espaços técnicos da Associação.

A segurança das barragens e das estruturas associadas ocupa posição central nessa agenda. Para as usinas hidrelétricas, a integridade dessas estruturas requer gestão permanente dos ativos, manutenção, monitoramento, preparação das equipes e procedimentos de emergência.

A Abrage vem atuando há anos nessa frente e possui cinco Guias de Boas Práticas em Segurança de Barragens, elaborados a partir da troca de experiências entre suas empresas associadas, com outros três guias em desenvolvimento. Os documentos são utilizados como ferramentas de autorregulação e disseminação de conhecimento no segmento. A Associação também desenvolveu o Guia de Boas Práticas para Elaboração de Plano de Comunicação da Operação dos Reservatórios de Hidrelétricas (PCORH), reforçando a comunicação como parte da gestão operacional e da preparação para situações que exigem decisões coordenadas.

Os efeitos de uma condição climática severa podem alcançar diferentes elos do sistema elétrico. Uma seca prolongada no Norte, por exemplo, pode reduzir os níveis dos rios e comprometer a navegação, com consequências para a logística de combustível necessária à geração nos sistemas isolados. Eventos de calor extremo podem elevar a demanda por eletricidade, enquanto tempestades severas podem afetar ativos de geração, transmissão e distribuição.

Cada tecnologia de geração possui características, vulnerabilidades e atributos próprios. Considerar essas diferenças é importante para o planejamento e para a preparação do sistema diante de diferentes condições de operação.

Nesse contexto, a geração hidrelétrica tem uma contribuição particular. Os reservatórios representam uma importante capacidade de armazenamento de energia, enquanto as usinas oferecem potência, flexibilidade e capacidade de resposta. Esses atributos ganham relevância em um sistema elétrico cada vez mais diversificado e com maior participação de fontes de geração com características variáveis.

O planejamento do setor precisa considerar esses diferentes atributos e sua disponibilidade nas condições em que forem necessários, levando em conta as características de cada tecnologia e as necessidades de operação do sistema.

A preparação para eventos climáticos extremos exige continuidade. As experiências das empresas, o aprimoramento dos procedimentos e o compartilhamento de boas práticas contribuem para ampliar a capacidade de resposta do setor diante de situações adversas.

O encontro promovido pela ANEEL reforçou a importância da articulação entre as instituições responsáveis pela meteorologia, recursos hídricos, operação, regulação, geração, transmissão, distribuição e proteção da sociedade.

A Abrage seguirá contribuindo para essa agenda a partir da experiência da geração hidrelétrica e do trabalho desenvolvido por suas empresas associadas, com atenção permanente à segurança das estruturas, à gestão dos ativos e à capacidade de resposta diante de diferentes cenários.

Preparar hoje os ativos e as equipes para os eventos de amanhã é parte essencial do compromisso da geração hidrelétrica com a segurança energética do Brasil.

 

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