Comitê de Operação e Manutenção da Abrage reúne especialistas em Curitiba para debater modernização, gestão de ativos e eventos climáticos extremos

A sede da Copel, em Curitiba (PR), recebeu nesta terça-feira (18/08) a abertura do encontro presencial do Comitê Técnico de Operação e Manutenção (CO&M) da Abrage. O evento, que se estende até o dia 19, reúne especialistas e lideranças das empresas geradoras para alinhar diretrizes estratégicas, compartilhar boas práticas e fortalecer a cooperação técnica frente aos novos desafios do Sistema Interligado Nacional (SIN).

A abertura do encontro contou com a participação do superintendente da Copel, Marcos Paulo Boaventura Rezende; da diretora da Abrage, Camilla Fernandes; e do coordenador do comitê, Renato Castilho.

Marcos Rezende destacou o valor do diálogo setorial para a segurança das atividades em campo: “A Copel acredita muito nesses fóruns de discussões técnicas. Sejam bem-vindos; essa é uma oportunidade de troca de conhecimento e aprendizado que pode evitar acidentes e melhorar os processos de trabalho na operação e manutenção”, pontuou.

Em sua fala institucional, Camilla Fernandes reforçou o papel integrador da associação e o compromisso contínuo com a excelência técnica: “A atuação dos comitês técnicos é o coração da Abrage. Este encontro presencial reforça nossa missão de integrar as geradoras, disseminar conhecimento qualificado e antecipar soluções para os desafios operacionais, garantindo maior eficiência, sustentabilidade e protagonismo para a fonte hidrelétrica no Brasil.”

O coordenador do CO&M, Renato Castilho, enfatizou o ambiente colaborativo construído pela entidade. “O espaço de discussão criado pela Abrage é oportuno e trabalha em prol da promoção das UHEs. Aqui estamos todos no mesmo barco: não competimos no âmbito técnico, somamos!”, afirmou.

Inovação, Resiliência e Futuro da Matriz
A programação matutina contemplou a apresentação do planejamento estratégico da Abrage, seguida por um painel conduzido pela CTG com foco na gestão de ativos a partir do Relatório Anual de Desempenho das UHEs. Em seguida, os participantes debateram o benchmarking em teleassistência nas usinas hidrelétricas, abordando a atuação do operador remoto na gestão de riscos, a modernização e automação prática dos ativos e os impactos diretos na segurança e confiabilidade operacional.

No período da tarde, as discussões avançaram para temas críticos da agenda setorial: os eventos climáticos extremos e as ações preventivas na operação. O painel contou com a apresentação de Webster Sozin, da CPFL, que compartilhou o case de atuação nas usinas do Rio Grande do Sul afetadas pelas cheias do último fenômeno El Niño.

Segundo Sozin, a experiência reforçou a necessidade de prontidão contínua: “O maior aprendizado foi perceber que, mesmo com toda a prevenção, é possível que algo aconteça”. O especialista destacou que a rápida mobilização da sala de crise, a agilidade na tomada de decisão, a estruturação de canais claros de comando e comunicação e, acima de tudo, a priorização irrestrita da vida humana foram os fatores determinantes para a gestão da emergência.

Encerrando as atividades do primeiro dia com uma perspectiva promissora para a transição energética, as apresentações se concentraram nas experiências pós-LRCAP, com foco na ampliação e repotenciação do parque hidrelétrico brasileiro. Os participantes avaliaram o papel protagonista da operação e manutenção na viabilização desses projetos, que representam uma oportunidade ímpar para alavancar a entrega de potência, confiabilidade e flexibilidade operativa ao sistema. Entre os pontos altos, foram compartilhados aprendizados sobre o relacionamento com a cadeia de fornecedores e a superação da complexidade técnica de cada empreendimento. O debate evidenciou o enorme valor agregado da repotenciação: ao modernizar e otimizar ativos históricos com investimentos contínuos em tecnologia e manutenção de ponta, o setor amplia a geração limpa aproveitando a infraestrutura existente, unindo ganho expressivo de desempenho e mínimo impacto socioambiental.

O encontro do CO&M segue nesta quarta-feira (19/08) com novos debates técnicos e aprofundamento das diretrizes para a operação das hidrelétricas no país.

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