Abrage destaca soluções estruturais para reduzir o curtailment em painel promovido pelo TCU

A Abrage participou, nesta quinta-feira (30/07), do Painel de Referência promovido pelo Tribunal de Contas da União (TCU) para discutir a flexibilização da geração termelétrica e seus impactos para a eficiência do setor elétrico brasileiro.

Em sua manifestação, a diretora da Abrage, Camilla Fernandes, destacou que a redução da inflexibilidade das usinas termelétricas representa uma medida importante para enfrentar os crescentes cortes de geração (curtailment) e ressaltou que essa iniciativa deve ser compreendida como parte de uma estratégia mais ampla de reequilíbrio estrutural entre oferta e demanda de energia.

Segundo Camilla, “a redução da inflexibilidade termelétrica é um dos quatro mecanismos estruturais para mitigar o curtailment no Sistema Interligado Nacional, ao lado da ampliação da exportação de energia elétrica hidrelétrica; do desenvolvimento de tecnologias de armazenamento, especialmente Sistemas de Armazanamento Hidráulico ou usinas reversíveis; e do aumento da demanda por meio da eletrificação da economia”; explicou.

Durante a apresentação, a associação destacou que, entre 2021 e 2025, aproximadamente 77% dos cortes de geração registrados no SIN ocorreram em usinas hidrelétricas, evidenciando que a principal fonte renovável da matriz brasileira tem sido a mais impactada pelas restrições operativas.

O corte de geração hidrelétrica não afeta apenas os concessionários, mas produz impactos econômicos relevantes para consumidores e para o cidadão. Estudos elaborados pelas consultorias PSR e RegE estimam que esses cortes representam aproximadamente R$ 600 milhões por ano de custos aos consumidores regulados, em razão dos efeitos sobre a repactuação do risco hidrológico, cotas de garantia física e cotas de Itaipu. Além disso, estima-se que os cidadãos e o poder público são impactados com uma perda anual de cerca de R$ 160 milhões na arrecadação da Compensação Financeira pela Utilização dos Recursos Hídricos (CFURH), destinada à União, aos estados e aos municípios.

Ao tratar das soluções para o enfrentamento do curtailment, a Abrage defendeu uma abordagem estrutural baseada em quatro frentes complementares:
– ampliação dos mecanismos de exportação de energia elétrica hidrelétrica;
– redução das inflexibilidades operacionais, incluindo a geração termelétrica e a MMGD;
– expansão das soluções de armazenamento, com destaque para usinas hidrelétricas reversíveis;
– estímulo ao crescimento da demanda por eletricidade, por meio da eletrificação da economia, dos transportes e da indústria.

Para a Abrage, a combinação dessas medidas permitirá reduzir o desperdício de energia renovável, aumentar a eficiência da operação do sistema elétrico e promover benefícios para consumidores, concessionários e para o cidadão e poder público, preservando uma das principais vantagens competitivas do Brasil: sua matriz elétrica predominantemente renovável.

Rolar para cima