Em painel promovido pelo jornal O Globo e pelo Valor Econômico, a presidente Marisete Pereira destacou que o país possui relevo, indústria e engenharia para liderar o armazenamento hidráulico em larga escala, garantindo segurança a um sistema cada vez mais variável.
Enquanto o mundo corre atrás de soluções tecnológicas para armazenar energia limpa e garantir a segurança do abastecimento, o Brasil tem o mapa do tesouro desenhado dentro de suas próprias fronteiras. A mensagem foi o grande destaque da participação da presidente da Associação Brasileira das Empresas Geradoras de Energia Elétrica (Abrage), Marisete Pereira, no evento “Transição Energética”, promovido hoje (14/07), pelos jornais O Globo e Valor Econômico, em São Paulo. Para a associação, a nova fronteira da transição não é apenas gerar energia verde, mas sim garantir sua entrega de forma segura, confiável e competitiva através de sistemas robustos de armazenamento.
O circuito de debates, que percorre as principais capitais brasileiras discutindo temas relevantes como Soberania e Indústria, jogou luz sobre as soluções para a expansão de fontes renováveis variáveis (como solar e eólica). Na visão da Abrage, o principal pilar dessa nova etapa é o armazenamento hidráulico.
“O armazenamento será uma das principais agendas da próxima etapa da transição energética. E, nesse campo, o Brasil reúne condições excepcionais para liderar com as usinas hidrelétricas reversíveis”, destacou Marisete Pereira. Essa tecnologia, consolidada globalmente e responsável por 96% de toda a capacidade de armazenamento elétrico do planeta (mais de 201 GW instalados), utiliza o bombeamento de água entre reservatórios para estocar energia excedente.
De acordo com a presidente da associação, o Brasil tem um potencial conservador de 38 GW em usinas reversíveis e um parque gerador de 110 GW com reservatórios que podem viabilizar esses projetos. O grande diferencial do país é que a solução é integralmente doméstica: dispomos de relevo favorável, engenharia especializada de ponta e uma cadeia industrial 100% nacional. “Não precisamos importar essa tecnologia. Temos tudo aqui para gerar emprego, renda e inovação dentro de casa”, pontuou.
Do Conceito à Prática
Mais do que um debate acadêmico, o Brasil deu passos práticos e estruturantes com a aprovação da Lei nº 15.269/2025, que reconheceu o armazenamento e criou balizas regulatórias importantes ao lado das resoluções do CNPE. A expectativa da Abrage é que, com base nessa arquitetura, o governo viabilize já em 2027 o primeiro leilão focado em Sistemas de Armazenamento Hidráulico.
A modernização do setor elétrico também passa pela superação do curtailment (o corte forçado de geração), que tem penalizado fortemente as hidrelétricas (alvos de 77% dos cortes nos últimos cinco anos). A saída apontada pela Abrage envolve um tripé: ampliação da transmissão, eletrificação econômica e investimentos massivos em armazenamento, com sinais econômicos claros que remunerem os serviços de potência e flexibilidade que as hidrelétricas já oferecem ao sistema 24 horas por dia.
Paralelamente, a tecnologia atua como aliada com o uso de Inteligência Artificial e IoT na gestão preventiva dos ativos, além de oportunidades de modernização e repotenciação. “Muitas vezes o melhor investimento é tornar mais eficiente aquilo que o Brasil já construiu, gerando mais energia sem a necessidade de novas obras ou novos reservatórios”, concluiu Marisete Pereira.
Assista ao debate no link do Youtube.