Abrage destaca valorização de atributos e previsibilidade como pilares para o futuro do setor elétrico em seminário da ENBPar

BRASÍLIA – O Brasil detém uma vantagem competitiva inigualável no cenário global: uma matriz predominantemente renovável sustentada pela força das suas hidrelétricas. Contudo, transformar esse potencial em segurança energética perene exige mais do que abundância de recursos; demanda o reconhecimento dos atributos físicos e a adequada valoração da confiabilidade sistêmica. Este foi o tom da participação da presidente da Abrage, Marisete Pereira, no seminário “Estratégias para a Confiabilidade e o Futuro da Energia do Sistema Estatal”, promovido pela ENBPar nesta terça-feira (05/05), na sede da FGV em Brasília.

Participando do painel dedicado aos desafios estruturais e oportunidades estratégicas sob a perspectiva dos agentes, Marisete debateu ao lado de lideranças da Abrate (Talita Porto) e Abrace (Paulo Pedrosa). Em sua fala, a Presidente reforçou que a expansão acelerada de fontes intermitentes, como eólica e solar, embora positiva, impõe uma nova complexidade operativa que as hidrelétricas e novas soluções, como o armazenamento hidráulico, estão prontas para suprir.

Os Desafios da Valorização e da Previsibilidade Durante o debate, Marisete destacou três desafios fundamentais para garantir uma expansão sustentável:

  • Evoluir na precificação de flexibilidade e serviços ancilares, refletindo melhor o valor sistêmico das hidrelétricas;
  • Avançar na integração entre planejamento, operação e regulação, garantindo coerência entre expansão e operação do sistema;
  • Criar mecanismos que viabilizem projetos de armazenamento hidráulico, especialmente usinas reversíveis, que podem funcionar como “baterias naturais” em larga escala.

“O mercado ainda não remunera de forma completa serviços essenciais onde as hidrelétricas oferecem a maior contribuição”, pontuou a presidente. Ela ressaltou que leis recentes, como a Lei nº 15.269/2025, trazem a disciplina necessária ao acesso à rede, evitando ineficiências e promovendo um planejamento integrado.

O Dilema entre Custo e Confiabilidade Ao abordar os trade-offs do setor, a Abrage alertou para o equilíbrio sensível entre o custo de curto prazo e a confiabilidade de longo prazo. Segundo Marisete, tecnologias intermitentes reduzem custos marginais imediatos, mas aumentam a necessidade de investimentos em flexibilidade que precisam ser visíveis no planejamento.

Como oportunidades estratégicas, a presidente apontou que o fortalecimento das hidrelétricas como “baterias naturais” e a viabilização de usinas reversíveis podem atrair indústrias intensivas, como data centers, que buscam um sistema elétrico robusto e previsível.

“O ponto decisivo para combinarmos segurança, expansão e competitividade é o reconhecimento dos atributos de confiabilidade. Valorizar o papel das hidrelétricas é preparar o Brasil para o futuro”, concluiu.

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