Brasília, 26 de setembro de 2025 – A Abrage esteve presente ontem, 25/09, na Casa Parlamento para o evento “O papel das hidrelétricas na transição energética”, promovido pela Agência InfraEnergia. O encontro reuniu autoridades e agentes-chave do setor em um diálogo estratégico para reafirmar a essencialidade da fonte hídrica e explorar caminhos e ajustes necessários para fortalecer a evolução da matriz energética brasileira, garantindo segurança, eficiência e sinalização adequada para o mercado.
A presidente da Abrage, Marisete Pereira, deu as boas-vindas e defendeu a importância de garantir equilíbrio na competitividade e o tratamento adequado dos preços e do vertimento turbinável (desperdício de energia). Ela destacou o enorme potencial de expansão das hidrelétricas no Brasil, estimado em cerca de 86 GW, ressaltando que a entrada de novos empreendimentos é essencial para garantir mais confiabilidade e flexibilidade ao Sistema Interligado Nacional (SIN).
Ainda na abertura, o presidente da Comissão de Minas e Energia da Câmara, deputado federal Diego Andrade (PSD-MG), ressaltou a necessidade de união das empresas do setor, para liderarem um diálogo qualificado e garantir que as propostas de reforma cheguem mais maduras ao Legislativo. O parlamentar foi enfático ao afirmar a importância de se estabelecer claramente as atribuições e as formas de contribuição de cada fonte de energia para o sistema, garantindo um debate técnico e transparente.
A essencialidade da fonte foi reforçada pelo CEO da PSR, Luiz Barroso, que afirmou que o Brasil vive a “era 3.0 das hidrelétricas”. Barroso explicou que a fonte oferece uma miríade de outros serviços além da energia firme, como inércia, potência e capacidade de atendimento à demanda nos horários de ponta. “É a renovável-chefe do Brasil”, declarou.
O evento contou com uma mesa de abertura de peso, com Sandoval Feitosa, Diretor-geral da ANEEL; João Daniel Cascalho, Secretário de Energia Elétrica do MME; Christiano Vieira, Diretor de Operação do ONS; André Pepitone, Diretor Financeiro da Itaipu Binacional; Alexandre Ramos, Presidente da CCEE e Thiago Prado, Presidente da EPE. Juntos, apresentaram visões estratégicas institucionais sobre o papel das hidrelétricas e os caminhos para sua necessária valorização.
Painel 1: Visão Estratégica do Setor Público
No Painel 1, que abordou a visão do setor público, o secretário de Planejamento e Transição Energética do MME, Gustavo Ataíde, destacou que, embora a participação da fonte hídrica no sistema tenha reduzido de 85% no início do século para cerca de 55% atualmente, sua importância foi potencializada em razão dos atributos singulares que oferece e das exigências atuais do sistema elétrico.
O diretor da ANEEL, Gentil Nogueira, defendeu, diante desse novo modelo setorial, a implantação das tarifas horárias de energia. “Seria um sinal de preço correto tanto para o consumidor, de quando é melhor ele consumir, como para o gerador, de quando vale a pena ele gerar.”
Painel 2: Perspectivas dos Agentes de Mercado
O segundo painel, sobre a visão dos agentes do setor, contou com a participação do vice-presidente da Copel, Diogo Mac Cord, o presidente da Auren, Fabio Zanfelice, o diretor de Regulação da Eletrobras, Luiz Laércio, e a diretora da Abrage, Camilla Fernandes. A mesa foi mediada pelo diretor da ANEEL, Fernando Mosna.
No debate, Diogo Mac Cord ressaltou que o sinal de preço é uma solução de médio prazo, mas destacou que o LRCAP (Leilão de Reserva de Capacidade na forma de Potência), previsto para março de 2026, é uma resposta estratégica de curto prazo para garantir a estabilidade do sistema elétrico, evitando blecautes. Já Luiz Laércio destacou a necessidade de uma previsão regulatória para o ressarcimento econômico das hidrelétricas por cortes de geração, um ponto essencial para a saúde financeira dos empreendimentos. Fabio Zanfelice sublinhou a oportunidade de ampliar a exportação de energia hidrelétrica, beneficiando consumidores, o sistema elétrico e países vizinhos.
União e Oportunidades
O evento discutiu ainda a possibilidade de uma reforma do setor elétrico por meio da Medida Provisória (MP) 1.304, que vence em 7 de novembro. Para a presidente da Abrage, Marisete Dadald, há uma janela de pouco mais de um mês para realizar esse debate, “e temos que focar nela”.
O deputado federal, Arnaldo Jardim, encerrou o evento com um discurso que sublinhou a resiliência e a relevância da fonte: “As condições climáticas vêm mudando com o tempo eos atributos das hidrelétricas se tornam ainda mais relevantes.” Ele reforçou que é preciso reequilibrar a competição entre as fontes, aprofundar a discussão sobre o mercado livre e buscar soluções com urgência para o curtailment, além de priorizar o armazenamento.