São Paulo, 02 de agosto de 2025 – Em um evento estratégico promovido hoje pela Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE), em São Paulo, a Abrage participou ativamente dos debates sobre os rumos do setor elétrico nacional. A pauta do encontro abordou os impactos das Medidas Provisórias em tramitação, os desafios do corte de geração e da geração distribuída, além de temas cruciais como leilões de armazenamento e a inserção dos data centers no cenário nacional.
Durante o Painel 4, “Leilões, Armazenamento e Segurança”, a Abrage defendeu pontos essenciais para a segurança e a estabilidade do Sistema Interligado Nacional (SIN). A Associação apresentou uma reflexão sobre a necessidade de se resolver o paradoxo entre o atual excesso de energia em determinados momentos do dia — que causa corte de geração, incluíndo o vertimento turbinável de hidrelétricas — e a perspectiva de escassez de recursos de potência em um horizonte breve, o que pode colocar em risco a segurança do sistema.
Nesse contexto, a Abrage tem enfatizado que a segurança de suprimento de potência depende de uma maior valorização do papel das hidrelétricas na matriz elétrica. As usinas hidrelétricas oferecem soluções concretas para o sistema, com um potencial de 7 GW em projetos de expansão com a implantação de novas unidades geradoras, dos quais 5,5 GW foram cadastrados no LRCAP. Somam-se a isso 11 GW adicionais em repotenciações de unidades geradoras, um potencial conservador de 38 GW em sistemas de armazenamento de energia hidráulico (SAEH) e aproximadamente 30 GW em novos projetos em estudo de licenciamento. No total, esses recursos representam 86 GW adicionais de potência, que podem contribuir de forma determinante para a segurança do sistema. A Abrage defende, portanto, que os leilões e o planejamento energético determinativo reconheçam esse valor, inclusive com remuneração adequada pela flexibilidade provida pelas usinas hidrelétricas.
No debate sobre Armazenamento de Energia Elétrica, a Abrage apresentou um comparativo que demonstra o papel complementar das diferentes tecnologias. As Usinas de Armazenamento Hidráulico (SAEH), por exemplo, se destacam pela sua vida útil superior a 100 anos, em contraste com a de baterias, que é de aproximadamente 20 anos. Além disso, a capacidade de armazenamento dos SAEH, que pode variar de 8 horas a semanas, se mostra ideal para necessidades de longa duração, enquanto as baterias químicas (BESS), com capacidade de 4 a 8 horas, são mais adequadas para demandas de curta duração. A escala global reforça a relevância dos SAEH, com mais de 105 GW em construção no mundo — mais de 90 GW somente na China —, evidenciando que ambas as tecnologias são essenciais e complementares para a segurança e flexibilidade da matriz energética.
Dados do PEN 2025 do ONS apresentados pela Abrage reforçam a urgência do tema. O estudo aponta que o sistema deve continuar requerendo amplitudes diárias de geração hidrelétrica crescentes, que este ano já alcançaram 44 GW, devendo superar 50 GW até 2029. As UHEs, responsáveis pela flexibilidade, segurança e confiabilidade do SIN, possuem os atributos essenciais para gerar energia limpa, sustentável e com baixo custo.