A Abrage participou, hoje, 2 de julho, da Audiência Pública promovida pela Comissão de Minas e Energia da Câmara dos Deputados, e conduzida pelo Deputado Federal e Presidente da CME, Diego Andrade, para discutir o papel do armazenamento de energia no sistema elétrico brasileiro. Representando 24 das principais empresas de geração do país e mais de 60% da produção elétrica nacional, a entidade destacou a importância estratégica das usinas hidrelétricas para garantir segurança, flexibilidade e sustentabilidade ao sistema.
Durante a apresentação, foi reforçado que as hidrelétricas são a espinha dorsal da matriz elétrica brasileira. Além de oferecerem energia renovável e de baixo carbono, os reservatórios hidrelétricos respondem por mais de 90% de toda a capacidade de armazenar água no Brasil, segundo dados da ANA. Isso torna as hidrelétricas fundamentais não apenas para a geração de energia, mas também para múltiplos usos, como abastecimento, irrigação, controle de cheias, aquicultura e turismo.
Em um cenário de crescimento acelerado das fontes eólica e solar — que já representam 34% da matriz elétrica — o sistema passou a enfrentar desafios operacionais, como excesso de oferta em alguns momentos e risco de déficit de potência em outros. Nesse contexto, os sistemas de armazenamento ganham protagonismo.
A Abrage ressaltou o papel dos sistemas de armazenamento hidráulico, como as usinas reversíveis (de bombeamento), já consolidados internacionalmente com cerca de 180 GW instalados no mundo. Essas usinas funcionam como baterias naturais, armazenando energia nos momentos de baixa demanda e liberando-a nos picos de consumo, além de fornecerem serviços ancilares críticos para a estabilidade da rede elétrica.
A importância estratégica da energia hidráulica para a transição energética também foi reforçada pela apresentação da International Hydropower Association (IHA), que destacou que o armazenamento hidráulico é a única tecnologia madura e de larga escala capaz de oferecer flexibilidade de longa duração com baixo carbono. Segundo a IHA, mais de 105 GW de projetos de usinas reversíveis estão em construção no mundo, e a tendência é de crescimento acelerado até 2030, com potencial de gerar enormes economias sistêmicas e reduzir investimentos em infraestrutura de transmissão e geração mais cara.
Outra contribuição relevante veio do Instituto Acende Brasil, que destacou que, entre as tecnologias de armazenamento existentes, as usinas hidrelétricas reversíveis e as baterias eletroquímicas se apresentam como as mais promissoras para o Brasil, por estarem em estágio mais avançado de maturidade tecnológica e desenvolvimento. O Instituto ressaltou, entretanto, que as usinas hidrelétricas reversíveis possuem a maior eficiência em termos de custo por quantidade de energia armazenada, sendo, portanto, a alternativa mais competitiva para armazenamento em larga escala.
Já o GESEL/UFRJ enfatizou que as tecnologias de baterias eletroquímicas e usinas hidrelétricas reversíveis são complementares, e não concorrentes. O grupo chamou atenção para a importância da capacidade de armazenamento de longa duração provida pelas hidrelétricas reversíveis e defendeu a convergência de esforços para viabilizar a inserção coordenada dessas tecnologias no sistema elétrico. O GESEL também destacou a necessidade de definição de modelos de contratação por meio de leilões competitivos, sem subsídios, para garantir viabilidade econômica e eficiência na alocação de recursos.
A Abrage também apresentou um panorama das oportunidades de expansão da capacidade instalada do parque hidrelétrico brasileiro:
- 30 GW em novas usinas em estudo e licenciamento;
- 38 GW em usinas reversíveis;
- 11 GW em modernização e repotenciação;
- 7 GW em motorização de poços vazios — sendo 5,5 GW já cadastrados no LRCAP 2025.
Ao final da apresentação a presidente, Marisete Pereira, destacou que discutir infraestrutura de baixo carbono no Brasil é, essencialmente, discutir hidreletricidade. “Valorizar e expandir esse potencial é fundamental para uma transição energética segura, limpa e sustentável”, explicou ela.
Assista a Audiência Pública completa, aqui: https://www.youtube.com/live/NTVWl1zXXb4